Bom dia, boa tarde e boa noite:
Como prometido, segue mais um poste Show de Emoção. Desta vez, divagaremos sobre um livro bem legalzim, cuja leitura proporcionou uma agradável viagem aos meus loucos pensamentos.
Aperta ae o play, DJ::::::
Livro que faz matutar: Ensaio sobre A Cegueira, de José Saramago.
O Livro
Zé Saramago - O cara
S:-P
Gosto de ler. Sério. Gosto mesmo. Mas... confesso que não sou um leitor assíduo.. Pelo menos não de literatura. Assistir filme é bem mais fácil. Mas o interessante, pelo menos, é que sempre que me disponho a ler alguma coisa, ou é por que foi muito bem recomendado, ou por que está sendo muito debatido e comentado, ou por que tem a correspondente adaptação cinematográfica em andamento. Bem... diante de tais circunstâncias, não é de se esperar que minhas experiências de leitura estejam classificadas, na maioria das vezes, entre boas e excelentes. Foi assim com o suspense/terror O Caso dos Dez Negrinhos (nota 9) e Assassinato no O Expresso Oriente (nota 8,5) - ambos da rainha do crime Agatha Christie - cujo argumento serviu de base para Identidade, com John Cusack (nota 8,5) e Assassinato no Expresso Oriente, com Sean Connory (nota 8,5);
Expresso Oriente: 6 indicações ao Oscar
O livro : show de emoção!
Identidade - Filme porreta de bom, mô fio!
Elenco Principal - mortes sucessivas! Buh!
O Clude Dumas (nota 8) - de Arturo Pérez-Reverte , adaptado para O Último Portal, com Johny Depp (nota 8,5 até a terceira parte, e 5,5 para o final confuso, prontofalei!) manteve o suspense do original, e Harry Potter e O Prizioneiro de Azkabam (nota 8,5) foi o melhor adaptado da série (nota 8,5).
O Livro tem mais elementos. É mais completo.
O filme: sustenta até perto do final, mas ...depois corta o clima!

Depp: meu sósia oficial nos EUA interpreta Dean Corso, em O Último Portal

Gravuras desenhadas pelo próprio tinhoso : intrigante!
Já os quadrinhos V de Vingança, de Alan Moore, são um caso a parte. Nota 8,5 para a revista, e nota 8,5 para o filme, só que pelos motivos diferentes. Os quadrinhos são mais sinistros e história mais fechadinha e adulta, ou seja... interessantíssimo. O filme mais pop (Eve se declara para V no final??!!! peraêêê...!!!), menos conciso na relação acontecimentos-resultado (eficiente e fluente no original - boa representação na cena do dominó), porém mais movimentado e criativo em alguns pontos. Sem falar na mudança que a própria alteração de linguagem trás à narrativa, adicionada ao bom uso dos recursos tecnológicos nas cenas de ação, que a computação digital fez a gentileza de tornar real. Um ganha na originalidade, e o outro ganha na criatividade. Empatados, então. Justo, muito justo... justíssimo.
A Revista: marco histórico dos quadrinhos mundiais!
O filme: Liberdade! Pra Sempre!!! - Bom lema!
Sim, mas.... vamos voltar ao FOCO!!!
Foi nessa filosofia de “ler pra depois assistir” que me deparei com um livro porreta, da peste, bom que só a bixiga, ganhador do Nobel de Literatura de 1998 : Ensaio Sobre a Cegueira. A versão cinematográfica está com a produção em andamento. O Publicitário, Produtor, Diretor de Cinema e Fodão Fernando Meireles está gravando nesse exato momento em São Paulo, depois de passar por Montevideu e Canadá. A adaptação conta com astros hollyhoodianos do calibre de Jullianne Moore (As Horas e Magnólia), Mark Rufallo (de Zodiaco e De Repente 30), Gael Garcia Bernal (A Má Educação e Diários de Motocicleta), Danny Glover (da cine-série Duro de Matar), e contando com a grande nova promessa brasileira no exterior: Alice Braga (que veremos logo logo em E A BELEZA CHEGOU E FICOU), sobrinha de Sônia Braga.
Mas calma... calma... vamos primeiro ao livro...,
“Se pode olhar, veja. Se pode ver, rapara”
Na epígrafe acima, a frase já me deixou a litlle confused, mas... o real sentido da expressão só caiu no meu entendimento (e mais ou menos, olhe lá!) no fim da história, pois ao simplesmente narrar os fatos descritos, Zé Saramago (íntimo!) em nenhum momento se dá ao trabalho de explicar nada. Ele vai falando, e falando... de forma clara, e sem muita pontuação (parágrafos looooongos), enquanto o leitor vai digerindo (ou não!), e tirando as próprias conclusões.
Tudo começa quando, de repente, um surto de cegueira atinge os habitantes de uma cidade. E é uma cegueira diferente: branca, em que os afetados apenas vêem uma luz, incessante. Num sinal de trânsito ocorre o primeiro caso. A vítima, identificada a partir daquele momento como O Primeiro Cego, é levada para casa por um transeunte - o Ladrão (identificado assim por motivos óbvios) - que o leva a esposa - Esposa do Primeiro Cego - para ser acolhido, e depois levado para o Médico. Acho q lá pela 10ª página todos os citados e alguns outros já estão cegos, incluindo a Moça de Óculos Escuros, O Garoto Estrábico e O Velho da Venda Preta. O leitor passa então a acompanhar a trajetória de dúvidas, desespero e luta desse grupo.
A cegueira atinge as pessoas de forma súbita e inexplicável, de forma que não se sabe como a doença é transmitida, nem de onde surgiu, como pode ser controlada e SE tem cura. O governo, agindo “ás cegas” para tentar conter o suposto contágio, tem a ÓOOOOTEEEEEMA, MARAVILHOSA, ESTUPENDA idéia de confinar os cegos num isolamento, como se fossem leprosos, num prédio afastado da cidade, que anteriormente servia de manicômio - alusão ao estado ao qual as circunstâncias levarão seus atuais internados.
Em muito breve o prédio toma ares de campo de concentração. E por vários motivos: Primeiro é a forma estúpida e desnorteada que as autoridades despacham as pessoas afetadas, que, até poucas horas atrás, eram absolutamente normais e conscientes de sua condição social. O fato de concentrar cerca de 40 deficientes num espaço físico limitado realmente não ajuda. A maioria está com medo, sem saber onde está a família, sem se quer saber onde está, e qual será seu futuro. O temor do governo na possibilidade do contato com os internados faz do lugar um tipo de prisão a lá Big Brother. Diariamente a comida é colocada numa fenda, e orientações são repassadas aos isolados por um auto-falante. As luzes são apagadas (não se sabe nem pra que é ligada!) sempre no início da noite, e nada mais se sabe do que acontece no exterior. A tentativa de seccionar os que sofreram “contágio” não surte efeito, uma vez que o surto cresce a rítimo acelerado do lado de fora. E na medida que mais pessoas cegam, o lugar vai lotando, até atingir seu limite. A situação vai ficando difícil...É um verdadeiro pesadelo se inicia.
Todo o processo de degradação que são narrados tem uma testemunha. Uma testemunha ocular: A Esposa do Médico. Ela é a ÚNICA personagem que mantém a visão intacta durante toda passagem dos acontecimentos. O que deveria ser uma bênção, torna-se um uma provação angustiante, pois ela tenta prestar o auxílio necessário para garantir a sobrevivência dos que passam a fazer parte do seu grupo - que é o dos Primeiros a Ceguarem, mas sem nunca poder revelar sua condição (exceto para o marido), uma vez que acarretaria em demasiada sobre-carga de tarefas, tendo em vista a enorme de demanda de pessoas a prestar socorro. Ao ter muitos a quem ajudar, ela acabaria por se tornar uma escrava. Desta forma, ela presencia o rompimento dos encarcerados com noções inerentes aos seres racionais. A indiferença demonstrada pelos militares responsáveis por vigiar e impedir a saída de internos resulta numa inicial tentativa de estabelecer um método de socialização dos recursos (ainda) existentes, na esperança de que torne-se possível o convívio. A tentativa é frustrada pelo surgimento de facções que decidem se apoderar da comida disponibilizada. É cego se aproveitando de cego. Um horror. O grupo dos Malvados torna a árdua existência de todos no local num absoluto teste de sanidade. Situações indignas e degradantes se formam na medida em que as exigências para a liberação de alimento atinge graus insuportáveis. E é ae que a força maior para assegurar a sobrevivência do grupo é posta em prova. Na verdade essa condição é uma constante. Todos os personagens sofrem experiências traumáticas durante a narrativa, mas são as mulheres que definitivamente levam o peso maior nos ombros, até mesmo nos acontecimentos pós fuga do isolamento. A personagem da Mulher do Médico se torna em muitos momentos o vértice central para onde convergem os acontecimentos, uma vez que ela nunca perde totalmente a consciência de quem é, e qual seu objetivo naquele lugar (condição não compartilhada pelos demais exatamente pela perda gradual da identidade ao longo da assimilação da cegueira e do desnorteamento). Salvar a si própria e aos cegos em sua companhia é sua prioridade. Muitas das suas ações são realizadas na esperança de que tudo tenha um final diferente, não tão horrível como o de alguns que se perdem no caminho. Antes o objetivo maior era voltar a ver, mas em determinado momento, muda para SOBREVIVER diante daquelas circunstâncias. Imagina-se, nesta caso, os efeitos causados pela presença de uma arma de fogo, ou de uma tesoura ... tudo no meio de uma batalha para assegurar a própria existência. Quase todos os valores conhecidos ou deixam de existir, ou se transformam, e até novos valores e parâmetros são criados.
Segue um trechinho:
“Quando o Médico e o Velho da Venda Preta entraram na camarata com a comida, não viram, não podiam ver, sete mulheres nuas, a Cega das Insônias estendida na cama, limpa como nunca estivera em toda a sua vida, enquanto outra mulher lavava, uma por uma, as suas companheiras, e depois a si própria”
Há momentos em que se observa que os personagens importantes da trama são forjados nos traumas vividos a buscar dentro de si o elemento que os torna humanos, na esperança garantir tal qualidade.
Bem... não vou me alongar muito descrevendo a história, pra não perder a graça, né, fio?!!! É sempre bom um efeito surpresa para quem ainda não leu o livro, mas pretende, e pra quem vai ver o filme.
A história é difícil. Os acontecimentos são trágicos, e as reflexões resultantes são, na maioria das vezes, tristes. Acho que tudo aquilo poderia acontecer sim... e exatamente daquela maneira, infelizmente.
Mas o que mais conta é o sentimento de que conhecer um pouco a natureza humana - tanto para as coisas más quanto para as boas - já contam para alguma coisa. Para um crescimento... de algum tipo... sei lá...
E como conclusão, eu realizei: São histórias como esta que fazem as pessoas olharem (ato mecânico, passar o olhar), verem (manter a atenção) e repararem (raciocinar sobre o que se vê).
...minha gente... tô filosofando, respeita ae!!...
Abraço a todos, e este post vai dedicado especialmente a André, com quem é sempre bom conversar, e para Fagner, e suas aventuras caruaruenses dignas de enrredo de filme, e para todos os demais que visitam essa zoninha.
Só para constar: As próximas adaptações em produção, cujos originais já foram devidamente lidas e aprovadas, são WATCMEN, ANJOS E DEMÔNIOS e BATMAN - CAVALEIROS DAS TREVAS (murri!).
Aguardemos.
Até a próximo post, que já está em processo de elaboramento. A seguir falarei sobre o filme Cegueira (ou Blindness, em inglês).
.... E pra terminar, essa semana ouvi uma música bem munitinha, que achei que tem tudu a ver com esse lance de cegueira e tudo mais. A letra é breguinha como só Sandy e Junior conseguem ser, mas mesmo assim eu gostei... num vô mintí. O batidinha é linda (ProntoFaleideNovo!!!).
Vai a letra de Abri os Olhos:
"Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Só não sei viver
Sem querer ser
Mais do que sou
E fato é o ato da procura
E a cura não existe
Só o que era certo
Eu descobri
Nem sempre era o melhor
Refrão
Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar
Não sei afastar
A dor de saber
Que o saber não há
Só não sei dizer
Se esse meu ver
Se pode explicar
Enquanto eu penso
Tanto entendo
Que é mais fácil
Não pensar
O que era certo
Eu aprendi
A sempre questionar
Refrão 2x
Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Refrão 2x”"
Pronto, acabou!
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